ESQUISITISSES DE UM VELHO
Um cesto de palha (todo furado), uma vara de pescar (sem anzol), uma
panela (sem cabo), são algumas das quinquilharias que o velho Sílvio Ferreira
guarda em seu pequeno quarto que também é uma espécie de museu. Silvio mora no
único quarto que restou de uma casa abandonada no caminho da roça para a
cidade. As paredes feitas de pau-a-pique foram, com o tempo, esfareladas.
Quando chove, ele pega o barro e vai
consertando seu quartinho, não tem muita pressa. Tapa um buraco e dá uma pitada
no cachimbo, se passa alguém pela estrada e pára para um dedinho de prosa, o
velho Ferreira entrega-se à conversa e, se a pessoa está sem pressa, o barro
endurece.A entrada de sua casinha está um brinco, toda enfeitada. Os buracos foram todos tapados e ele pôde pendurar seus bibelôs para enfeitar a parede. Tem uma roseta de espora que um cavaleiro perdera ao passar por ali; uma ferradura para dar-lhe sorte; um pedal de bicicleta; uma ratoeira; uma aba de chapéu; um cano de espingarda e uma tampa de panela de pressão que ele diz ser o preferido “parece uma viola pequena.” Cada objeto tem uma história, pobre de quem estiver com pressa e perguntar sobre algum desses objetos, “é assunto pra um dia inteiro”.
As esquisitices de Sílvio são motivo de riso para as pessoas, mas com essa mania esquisita de catar coisas, o ancião já encontrou várias de cunho importante, entre elas, o cachimbo e o canivete de Manoel Manducáia, mas essa é uma outra história.
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